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Alta do cobre desequilibra indústrias de iluminação
e de artefatos de metal
03/05/2006 - Julie Maud, Agência Indusnet Fiesp
Setores enfrentam dificuldade para repassar aumento dos custos de produção aos lojistas
O crescimento das importações chinesas de matérias-primas, aliado à diminuição dos estoques globais de mentais não-ferrosos, está criando um cenário no qual a oferta destas commodities não acompanha mais a demanda dos mercados. Se por um lado a alta das exportações melhora a performance da balança comercial dos países produtores com o Chile, por outro ela também exerce grande pressão sobre o preço dos insumos.
Analistas da estatal Corporación Chilena de Cobre (Cochilco) avaliam que os baixos preços praticados pelo mercado entre 1997 e 2003 inibem agora a capacidade de reação da oferta. Durante esse período, não houve investimento suficiente na produção para permitir que agora aos produtores possam responder ao crescente aumento de demanda. Como reflexo, os preços do cobre vêm aumentando desde o ano passado.
Esta tendência de alta se tornou ainda mais clara a partir de 12 de abril, quando o preço do metal ultrapassou a marca histórica de US$ 6 mil a tonelada na cotação oficial do LME - London Metal Exchange. O valor representou um aumento de 80% no período de 12 meses e 42%, apenas este ano. Além do cobre, zinco, latão e alumínio são algumas das commodities também afetadas pela alta de preços.
Impacto na indústria
Sentindo diretamente os efeitos da escalada de preços, a indústria da iluminação e dos artefatos de metal têm encontrado dificuldade para absorver e repassar seus custos. Pressionados entre os repasses do setor primário e a recusa dos lojistas em aceitar aumentos, os setores enfrentam séria descapitalização.
“Perdemos 30% do nosso capital de giro só no ano passado”, analisa Denis Perez Martins, presidente do Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não-Ferrosos no Estado de São Paulo. Para Martins, não há expectativa de que a situação da indústria mude em curto prazo, até porque os países exportadores estão satisfeitos com os preços praticados internacionalmente.
Sergio Ared, presidente do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-Ferrosos do Estado de São Paulo, afirma que a situação enfrentada pelos industriais não tem precedente. Segundo ele, a crise só não é mais grave entre os grandes fabricantes porque estes contam com contratos de fornecimento já firmados – e têm capital de giro que ainda sustenta a operação.
“Os contratos de fornecimento de longo prazo estão garantindo a maior parte da matéria-prima para os maiores industriais, mas os pequenos estão em situação crítica”, diz ele. A razão disso, explica Ared, é que o mercado à vista ajusta seus preços diariamente, enquanto a pequena indústria não tem mais fôlego para adquirir ao menos a matéria-prima.
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