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Oferta fraca mantém alta de metais até 2008
22/5/2006 - Carlos Matos - DCI
A temporada de grandes lucros e prejuízos decorrentes da alta dos metais pode se sustentar até 2008, quando entram em operação uma série de novos projetos das mineradoras no setor. O alto preço de venda do cobre reverteu o impacto que a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) poderia sofrer com problemas operacionais ocorridos este ano em sua usina de concentrado, que reduziram em 17% a sua produção no primeiro trimestre, e também premiou os distribuidores que apostaram na manutenção da alta de cotações e elevaram seus estoques. Na outra ponta da cadeia, metalúrgicas fabricantes de peças, cadeados e metais sanitários apertam margens para conter o peso crescente dos metais em seus custos.
Um problema no moinho de bolas da Vale, localizado na planta de concentrado de cobre, resolvido em fevereiro, reduziu a produção do metal no trimestre, que se restringiu a apenas 70 mil toneladas, contra 85 mil toneladas em igual período do ano passado. Contudo, o faturamento da CVRD no segmento subiu 21%, alcançando R$ 242 milhões, devido aos altos preços do metal.
A empresa concorda com a visão de analistas, que têm apontado o investimento de fundos em metais de base como um dos fatores de sustentação da alta de preços. Mas estima que o capital aplicado por esses fundos não represente mais do que 4% do valor total negociado.
Já a Aço Metal , distribuidora que trabalha com metais não ferrosos, ligas e aços, ampliou a clientela e manteve lucros apostando na elevação dos estoques. “Vínhamos mantendo um nível mínimo de estoques até o final do ano passado, quando resolvemos mudar de estratégia e elevar os estoques”, diz André Dias, diretor comercial da empresa. Ele afirma que com isso a Aço Metal conseguiu lucrar com a elevação de preços do cobre e até mesmo ganhar novos clientes.
“Apostamos que a alta dos metais seria um fenômeno de médio ou longo prazo. Entre as usinas e laminadores de cobre, como a Eluma (empresa do Grupo Paranapanema ), a Termomecânica e a Cecil , há quem diga que a cotação pode atingir até mesmo US$ 11 mil a tonelada”, comenta Dias. “Mesmo com o consumo em níveis razoáveis, sabemos que as metalúrgicas estão comprando o mínimo possível, portanto há uma demanda retraída que, no caso de um movimento de queda nas cotações, deve manter os preços num patamar de US$ 7,5 mil, pelo menos por seis meses”.
A decisão de elevar estoques, segundo ele, ainda protege a empresa de eventuais cobranças de “prêmios” por escassez da matéria-prima. Dias explica que o fenômeno ocorreu há cerca de doze anos, quando houve falta do metal no mercado e o pagamento de ágio para aquisição do insumo se tornou comum.
A Aço Metal passou por situação semelhante com o aço, há cerca de dois anos, mas Dias afirma que os reajustes do aço são bastante previsíveis e contornáveis, em relação aos preços dos não ferrosos. “Na época, a própria Gerdau , com quem trabalhamos, avisava com antecedência, de modo que conseguíamos contornar o reajuste. No caso do cobre, as próprias usinas estão de mãos atadas”. A empresa fatura cerca de R$ 20 milhões com a revenda de metais semi-acabados, e para este ano, espera crescimento de 18% nas vendas, três vezes o estimado para o setor.
De acordo com estudo realizado pelo Sindicato da Indústria de Metais Não ferrosos do Estado de São Paulo (Siamfesp), o cobre e o zinco (matérias-primas do latão), representam 32% dos custos de pequenas e médias metalúrgicas que produzem metais sanitários, fechaduras e dobradiças. Segundo a entidade, os reajustes desses metais nos últimos quatro meses criaram a necessidade de um repasse próximo de 20%, para que haja equilíbrio nas contas do segmento. Entretanto, de acordo com Denis Perez Martins, presidente do sindicato, embora o setor esteja acostumado com oscilações de preço nos insumos, está atingindo uma situação insustentável, sem conseguir diluir seus custos de processo na venda dos produtos.
Ele afirma que os aumentos nos metais neutralizaram o pacote de incentivos à construção, que reduziu alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para alguns itens.
Não é apenas a indústria transformadora que vem sendo afetada pelos altos preços das commodities. A balança comercial brasileira sofrerá com o peso causado pela importação de metais como o cobre. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), nos quatro primeiros meses deste ano foram importadas 72,9 mil toneladas de cobre e produtos nesse metal, 8,2% mais que no mesmo período de 2005. Entretanto, em valor, as importações atingiram US$ 376,8 milhões, 56,5% a mais que nos meses de janeiro a abril de 2005.
Múltiplos fatores
A GFMS Consulting , especializada no mercado de metais, o interesse de fundos de investimento nas commodities multiplica os efeitos negativos da oferta, que vem sofrendo problemas de regularidade, motivado por greves em minas de cobre no Chile, maior produtor do metal. Além disso, a chilena Codelco afirmou em janeiro que sua produção baixaria nos próximos anos, devido ao declínio das suas reservas.
Embora atualmente não faltem investimentos das mineradoras em novas reservas de metais não ferrosos, durante muito tempo esses aportes foram adiados, por falta de interesse dos gigantes da mineração nos preços dessas commodities, segundo aponta a Goldman Sachs , que registrou, entre 1979 e 1999, uma queda anual de 1% nos preços spot (vendas efetuadas sem qualquer vínculo contratual) dos metais. De acordo com dados da London Metal Exchange (LME), que controla os preços internacionais dos metais não-ferrosos, o cobre e o zinco sofreram alta de mais de 80% este ano e suas cotações atuais atingem, respectivamente, US$ 8.590 e US$ 3.668 por tonelada.
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