
Siamfesp em Ação 
Notícias 
Releases 
Clipping 
|
Brasil e Nigéria terão acordo sobre petróleo e exportação
22/8/2005 - www.mercatho.com
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, informou que o governo brasileiro está negociando com a Nigéria um acordo para utilizar os recursos pagos pela Petrobras nas importações de petróleo nigeriano como garantia para as exportações de produtos brasileiros ao país. O objetivo do Brasil é exportar US$ 500 milhões a mais para o país africano no curto prazo. O acordo pode ser fechado durante a visita do presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, ao Brasil. Obasanjo estará no país no dia 7 de setembro para as comemorações do Dia da Independência. Atualmente, o Brasil exporta apenas US$ 500 milhões para o país africano.
Se o convênio se materializar, o Brasil fornecerá linha de crédito para que os importadores nigerianos comprem produtos brasileiros. Os empréstimos seriam liberados via Programa de Incentivo às Exportações (Proex), que conta com recursos do Tesouro administrados pelo Banco do Brasil. As garantias dos empréstimos seriam os pagamentos pelas importações do petróleo adquirido pela Petrobras da também estatal Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC). Os recursos seriam depositados em uma "conta-petróleo" de um banco estrangeiro e liberados mediante a comprovação dos pagamentos aos exportadores.
A Petrobras seria beneficiada, porque hoje não compra petróleo diretamente da NNPC. Para a Nigéria, o convênio pode significar crédito a juros baixos. "A arquitetura é atraente para os dois lados. E há espaço para a expansão do comércio e dos investimentos", disse Furlan. O Brasil possui acordo semelhante com Angola desde 1990, para quem também exporta via uma "conta-petróleo", disse Furlan. A Petrobras importa 20 mil barris/dia de petróleo de Angola, que são utilizados com garantia para as exportações brasileiras. Entre 1995 e 2004, US$ 1,5 bilhão em exportações para Angola foram financiadas dessa maneira.
Alimentos processados
De acordo com Juan Quiróz, presidente da Agência de Promoção de Exportações (Apex), existe espaço para o Brasil vender alimentos processados, bebidas e sucos, software, produtos farmacêuticos, equipamentos médico-hospitalares, carnes, máquinas e equipamentos agrícolas, máquinas e equipamentos de infra-estrutura e autopeças. A Nigéria possui uma frota de carros muito antiga, que demanda reposição de peças. Outro exemplo são as caldeiras elétricas, necessárias para as hidrelétricas em construção no país. O Brasil vende hoje apenas US$ 7,8 milhões em caldeiras para a Nigéria, figurando como 20º fornecedor do produto. A Nigéria importa US$ 2,43 bilhões em caldeiras.
Furlan levou uma carta de Lula e a sinalização de que o governo brasileiro compreende a necessidade da Nigéria de desenvolver sua indústria e atrair investimentos. Mas o ministro brasileiro também argumentou que, para convencer as empresas brasileiras a investir no país, os nigerianos precisam primeiro comprar produtos do Brasil. A missão é composta por cerca de 30 empresários e 10 funcionários do governo, que viajam no avião da FAB conhecido por "Sucatão".
Programa do álcool
São dois dias de visitas com rodadas de negócios em Abuja, capital política da Nigéria, e Lagos, capital econômica. A visita está sendo preparada desde a última viagem do presidente Lula a África. Já foram investidos US$ 500 milhões em pesquisa e prospecção dos dois poços (Agbami e Akpo), explorados em parceria com a americana Chevron e com a britânica Total, respectivamente. A Petrobras investe também no bloco 324, o primeiro de águas profundas a ser explorado fora do Brasil, mas ainda não foi descoberto um poço comercial.
O convênio para a implementação de um programa do álcool na Nigéria prevê a importação do produto para ser misturado à gasolina mas, em um segundo momento, o Brasil dará suporte para produção na Nigéria. Awad disse que a Petrobras vai batalhar para exportar a mistura pronta dos dois combustíveis para agregar valor à operação. O álcool anidro deve substituir 10% do consumo de gasolina da Nigéria, de 30 milhões de litros por dia. Awad disse que ainda não é possível fazer previsão em valores do resultado do convênio com a estatal nigeriana.
| |