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Alta do cobre gera falta do metal no mercado à vista

26/4/2006 - Valor Econômico - pág. B6 - Caderno Empresas/Indústria

Após meses com os preços do cobre em seguidas altas no mercado internacional, a expectativa de continuidade dessa escalada começa a dificultar as compras do metal no mercado interno em vendas à vista, conhecido como "spot". Alguns fabricantes de fios e cabos, como a Wirex Cable e a IPCE, que recorrem a essa forma de negociação para adquirir cerca de 25% da matéria-prima, dizem que esse mercado está quase parado.
Não se trata de falta de material: o motivo é que os vendedores ficam segurando o produto à espera de aumentos de preço.
Segundo o presidente do Sindicel (sindicato das indústrias de fios e cabos), Sérgio Aredes, esta é a primeira vez que isso acontece no mercado nestas proporções. "As empresas não vendem ou pedem valores absurdos, elas simplesmente não vendem", diz. Segundo ele, isso pode gerar desabastecimento nos pequenos fabricantes.
Outra dificuldade no acesso à matéria-prima, segundo executivos do setor, é que muitas empresas não conseguem comprar o metal porque seu limite de crédito não permite. "O valor necessário para a mesma quantidade de cobre de meses atrás subiu muito", explica o diretor da Prysmian (ex-Pirelli Cabos), Humberto Paiva.
Puxado pela demanda mundial aquecida e por movimentos especulativos dos fundos de investimento, o preço do cobre fechou cotado a US$ 7.002 a tonelada em Londres ontem, dando continuidade à alta de 58% só neste ano. O valor é muito superior à média dos anos anteriores: em 2003, o preço médio foi de US$ 1.750; em 2004, de US$ 2.800, antes do salto para US$ 3.800 no ano passado, segundo informações do diretor financeiro da fabricante de fios e cabos Ficap, Luiz Daniel Quintal.
"O déficit de 300 mil toneladas de cobre refinado este ano não justifica todo o aumento, que foi impulsionado pelos investimentos dos fundos em commodities metálicas", diz o executivo.
A escalada está deixando até os mais antigos executivos do setor espantados. "Estamos habituados a oscilações, mas altas como as recentes não são comuns", disse o diretor da fabricante de semi-elaborados Cecil, Giovanni Battista Cervetto, que trabalha neste mercado há 40 anos. Ele prevê que as vendas no mercado à vista devem se normalizar assim que o cobre tiver uma leve queda na Bolsa de Londres (LME), que serve de referência para os negócios no mundo. "Diante da primeira queda, as empresas vão desovar o cobre", diz.
Devido à valorização do real, a alta dos preços foi amenizada, já que o cobre é cotado em dólar. Mesmo assim, o aumento na moeda brasileira, de 2003 até hoje, foi de 183%. É menor do que a alta em dólar, que atingiu 306%.
No começo do ano, os fabricantes de fios e cabos reajustaram em 6% seus produtos, mas avisam que farão um novo aumento até maio. "Fazer repasses é a maior dificuldade do momento", diz o presidente da IPCE, Adhemar Camardella. As sucessivas altas já levam construtoras, como a paulista Tarjab, a antecipar pedidos para aproveitar preços, segundo Kelly Guilherme, gerente de suprimentos da Tarjab.
De acordo com a Prysmian, que fornece fios e cabos para construção e para indústria, alguns de seus clientes adiaram projetos de expansão e de reforma elétrica devido às altas dos preços. Nestes casos, o cobre pode representar entre 50% e 60% da reforma, enquanto em construções residenciais equivale a cerca de 2% do custo total.



 

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