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Empresário está otimista com setor industrial (DCI)
22/07/2010
Os empresários estão otimistas com os bons resultados alcançados no primeiro semestre deste ano com recuperação da atividade industrial na região de abrangência do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Campinas - área esta que atende 19 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Neste semestre, a indústria regional recuperou 7.250 postos de trabalho com carteira assinada e com expectativa de um aumento de vagas no segundo semestre que poderão chegar a 15 mil contratações ao final de 2010, e recuperar o número de vagas fechadas em decorrência da crise econômica global que atingiu 16.500 demissões. No início de 2011, há possibilidade de o setor conseguir recuperar totalmente as vagas perdidas.
O mês de junho deste ano acrescentou 2.400 postos de trabalho e foi considerado o melhor mês em termos de contratação dos últimos três anos. O primeiro semestre de 2010 já recuperou e ultrapassou o número total de demissões registradas em todo o ano de 2009 que foi de 6.850 trabalhadores. O número de vagas na indústria poderia ser maior se não houvesse um déficit comercial elevado e crescente, pois muitos produtos são importados sem necessidade, pois a indústria local teria condições de produzir e absorver. Na indústria automobilística, por exemplo, a previsão e expectativa são de se chegar ao final deste ano com a marca de 900 mil veículos importados do México, Argentina e Coreia.
O diretor titular do Ciesp Campinas, Natal Martins, disse que apesar dos empresários estarem otimistas com o avanço da atividade industrial o governo precisa investir em infraestrutura, em educação, reformulação do sistema tributário, rever o sistema judiciário que é muito lento e reduzir a burocracia.
"Infraestrutura é fundamental. Acho que o governo tem de investir, pois nós temos problemas sérios de energia, aeroportos, portos e logística porque são deficientes ainda. Educação também é fundamental. Nós temos de resolver o problema em todos os níveis, da educação básica ao nível superior, passando pela qualificação profissional. Na questão do sistema tributário, o governo arrecada muito e devolve muito pouco para o cidadão e a forma como se arrecada é muito cruel. As empresas têm de manter estruturas pesadas para honrar os compromissos com o Fisco".
A balança comercial regional teve um crescimento de 30% nas exportações e nas importações neste primeiro semestre em comparação com igual período de 2009, no decorrer da crise. No entanto, quando comparado ao primeiro semestre de 2008, a queda é ainda significativa, da ordem de 37% para exportações e importações. No mês de junho de 2010, houve um aumento das importações em relação a maio da ordem de 11%, por conta do câmbio, e uma queda de 8% nas exportações de junho para maio de 2010, ampliando o déficit comercial da região.
Viracopos
O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp Campinas, Antonio Meduna, defende investimentos urgentes no aeroporto de Viracopos. "Eu tenho muita preocupação com a carga em Viracopos. Hoje, o aeroporto está no limite do limite. Faltam investimentos e nós precisamos de mais investimentos urgentes na área de carga. Não tem mais armazém, Está tudo muito engessado na importação. A situação só não é pior porque as empresas trabalham. A próprias Infraero estimula uma competição entre as empresas para tirar rapidamente as mercadorias do aeroporto", diz.
Sondagem
A pesquisa de sondagem industrial elaborada pelo Centro de Pesquisas Econômicas da Facamp (Faculdades de Campinas) em parceria com o Ciesp Campinas mostra que, no mês de junho, houve estabilidade dos custos, crescimento das vendas e queda dos níveis de inadimplência, projetando, assim, um cenário favorável à manutenção do crescimento industrial no segundo semestre. Os custos trabalhistas e de energia, água e transporte permaneceram inalterados para 2/3 dos empresários consultados. Já os custos com matérias-primas, componentes ou peças aumentaram para quase metade das empresas (48%).
Com relação à capacidade instalada de produção, a indústria da RMC retorna patamares pré-crise. Em junho, 77% das empresas afirmaram operar com mais de 70% da capacidade de produção, praticamente igual ao mesmo mês de 2008 que foi de 75%. Os números apontam para a necessidade de novos investimentos para garantir a sustentabilidade do crescimento. O número de empresas que assinalou vendas superiores em junho deste ano foi de 34%, apresentando aumento de 5 pontos percentuais quando comparado com o mesmo período de 2008, que foi de 29%. Entretanto, em comparação com o mês de maio de 2010, houve uma queda de 9 pontos percentuais.
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